Incentivar a cultura é ir além do apoio financeiro
Reportagem: Rochelly Rocha e Patricia Klein
![]() |
| Rogério Beretta crédito: foto cedida pelo ator |
De que maneira a fase atual da economia no país, afeta a vida de quem vive da arte? Muitos atores e produtores, buscam alternativas para driblar a falta de investimentos na área da cultura que vão desde a falta de espaços à estruturas precárias dos locais existentes de apresentação. Muitas vezes tendo que custear suas próprias produções para seguirem com os espetáculos.
Rogério Beretta, 57 anos, ator da peça “Os Homens de Perto – I e II e Homens de Perto Desgovernados”, diz que o teatro é feito de um público limitado e de espaços limitados. Para ele, o governo não se preocupa em educar a população para que os mesmos tenham interesse por esse tipo de cultura. De acordo com o ator, que em 2018 faz 35 anos de carreira no teatro, a cultura sofre uma carência que vai além do apoio financeiro. Segundo Rogério, falta incentivo moral para que o cidadão possa estar inserido na arte desde muito cedo. Para ele o contato com as artes deveria partir das séries iniciais como o ensino fundamental até a faculdade, como ele ressalta a existência disso em outros países como a Europa, onde morou por oito anos, “lá tem um programa no currículo onde inclui o teatro, música, dança, desde a primeira idade, até quando entram na faculdade”, afirma Beretta.
Rogério Beretta, 57 anos, ator da peça “Os Homens de Perto – I e II e Homens de Perto Desgovernados”, diz que o teatro é feito de um público limitado e de espaços limitados. Para ele, o governo não se preocupa em educar a população para que os mesmos tenham interesse por esse tipo de cultura. De acordo com o ator, que em 2018 faz 35 anos de carreira no teatro, a cultura sofre uma carência que vai além do apoio financeiro. Segundo Rogério, falta incentivo moral para que o cidadão possa estar inserido na arte desde muito cedo. Para ele o contato com as artes deveria partir das séries iniciais como o ensino fundamental até a faculdade, como ele ressalta a existência disso em outros países como a Europa, onde morou por oito anos, “lá tem um programa no currículo onde inclui o teatro, música, dança, desde a primeira idade, até quando entram na faculdade”, afirma Beretta.
![]() |
| Vânia Tavares crédito: foto cedida pela atriz e professora |
No
teatro, os investimentos em aprimorar os espaços públicos existentes e melhorias nas salas de teatros é a principal queixa de quem precisa dos palcos para trabalhar e mostrar sua arte. Para Vânia Tavares, atriz e professora de artes cênicas, a
falta de espaços públicos para que aconteçam os espetáculos é um dos fatores
que dificultam o trabalho do artista. De acordo com ela, os que existem estão precários, restando os
espaços privados, o que dificulta o acesso
de todos os públicos, que por serem mais caros, acabam buscando outras
alternativas de entretenimento mais em conta.
Rogério Beretta ressalta que não falta público e sim, espaços que permitam
temporadas maiores para mais grupos, porque atualmente existem mais atores
disputando pelos mesmos espaços, tendo que fazer temporadas curtas para que
todos consigam apresentar. O ator lembra que último espaço entregue para Porto Alegre, foi
a Casa de Cultura Mário Quintana no fim dos anos 80 , início do anos 90. “O
Centro Municipal de Cultura é da década de 70, os demais estão fechados ou
sucateados”, afirma Beretta. O ator que chegou a permanecer em cartaz por 30
semanas em espaços públicos, conta que a média hoje é de apenas 8 semanas, ou
nem isso para muitos outros atores. Para Rogério, é preciso pelo menos 20 espaços
de porte médio a mais na cidade de Porto Alegre para dar guarida às
produções que existem hoje e possibilitar aos artistas a montarem espetáculos
com mais tempo em cartaz, com uma produção mais elaborada.
O
Ministério da Cultura através do Portal de transparência, pelo período de 1996
à 2017 liberou para o RS em torno de 180 Bilhões de reais para investimentos na
cultura no estado. Esse número, por mais grandioso que pareça, é apenas um
somatório do que foi conveniado em 21 anos. Em Porto Alegre, por exemplo,
foi disponibilizado 69 milhões, 83 mil e 174 reais de 1996 até setembro de 2017,
para restauração de patrimônio cultural histórico como na restauração do
mercado público em 2015.
Atualmente
o projeto em execução é a compra de instrumentos musicais para escola de música
da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. A data prevista para a conclusão do
projeto para outubro de 2018, ou seja, não tem em pauta a construção de novos
espaços, ou verbas direcionadas a melhorias de alguns dos 18 espaços existentes
atualmente na Capital.
![]() |
| Roberto Corbo crédito: foto cedida pelo ator |
Na percepção do ator e produtor, Roberto Corbo, os teatros Municipais, por
serem um bem público, deveriam ser acessíveis para todos, inclusive às pessoas
de baixa renda, o que não acontece. Roberto que também é diretor e professor de
teatro, comenta que a falta de investimentos dos setores privados, vai além do
que o Governo disponibiliza para esses investimentos, sendo um desafio de
manter o teatro. “Os poucos que investem no teatro, é porque tem o principal
interesse de lucrar, expondo seu nome ou marca e não o de apoiar o artista ou
apoiar a cultura”, diz o ator que desabafa, “bem por isso, quem está começando no
ramo, acaba por desistir ou falindo”, afirma Corbo.
![]() |
| Sabrina Tesôto crédito: foto cedida pela entrevistada |
![]() |
| Clara Clarice crédito: foto cedida pela produtora |
No
Brasil, o RJ e SP ainda tem o teatro como uma das principais formas de
entretenimento. De acordo com Clara Clarice Guarani, diretora e também atriz,
nessas capitais esse mercado ainda tem mais trabalho, sendo possível sobreviver
como ator e atriz, pois as peças em cartaz, acabam sendo divulgadas na
mídia, o que ajuda na popularidade do teatro.
Clara se formou em jornalismo e com 25 anos foi para Amsterdam como corresponde. Foi lá que começou na vida artística, inicialmente cantando. Depois que
voltou para o Brasil em Recife, começou a fazer teatro, depois dança e foi
assim que também se tornou produtora e atualmente dá aulas de teatro, embora
nunca tenha deixado o jornalismo de lado. Ela conta que não vive sem a arte, mas acredita que por
não precisar viver somente dela, consegue ter mais liberdade e leveza em suas
produções. Clara destaca que em Pernambuco, onde atuou durante muito
tempo, as preferências do público são por manifestações culturais e isso
facilita muito fazer e manter a arte viva.
![]() |
| Foto de Luis Fernando Rodenbuch crédito: foto cedida pelo ator |
Luis Fernando
Rodembuch, ator e professor teatral da escola Paranóia fala que as dificuldades
são diversas, mas eles têm lutado dia após dia, há muitos anos dentro dessa área. “Eu sou um dos únicos que vive de
teatro em Novo Hamburgo, além do trabalho de recreação, na verdade o teatro
está muito envolvido com animação, mas claro que tem a missão de transmitir
mensagens de reflexão também. Em relação a crise financeira afetar a cultura,
ele comenta sobre o teatro em sua cidade: “Para os teatros de Novo Hamburgo
faltam muitos incentivos. E acredito que por parte da administração municipal,
deveria haver uma lei de incentivo à cultura específica para nossa cidade”, afirma
Luis Fernando.
![]() |
| Juliana Daniela Schineider crédito: foto cedida pela entrevistada |
Juliana
Daniela Schneider, 31 anos, natural de Novo Hamburgo, conta que desde criança
sonhava em ser atriz, gostava de tudo relacionado a arte, canto, música, dança,
pintura, literatura e artesanato, fez aulas de música e dança, mas sua paixão
mesmo era pela atuação, cinema e teatro principalmente. Aos 13 anos entrou para
o curso de teatro na escola Paranóia e foi aí que se apaixonou pelos
palcos e por esse universo. Porém, enfrentou alguns desafios e frustrações que a fizeram se afastar por um
tempo do teatro, onde acabou se formando em fisioterapia. Apesar de ter feito o curso por dois anos e amado a experiência de
estar nos palcos vivendo outras histórias, percebeu que sua paixão e dedicação
pela arte não bastavam para ingressar nesse meio. Descobriu que para atuar até
mesmo como figurante, necessitava do DRT, documento exigido para ser um
profissional e poder exercer a profissão legalmente em qualquer meio artístico
ou emissora.
Sobre patrocínio e
retorno financeiro
Beretta
declara que na área teatral, os artistas dependem de convites, de uma boa
produção e também de um pouco de sorte. “Muitos atores aos 30 anos acabam
largando a profissão para trabalhar num banco, por exemplo, ou qualquer trabalho
que tenha uma renda mais estável e poder viver com dignidade, o que é uma
pena, porque acabam se perdendo muitos talentos”, afirma Rogério Beretta, que
ressalta, “a carreira de ator algumas vezes pode parecer glamorosa em
função da exposição na mídia, mas a realidade é dura”.
Sobre
retorno financeiro dos espetáculos e patrocínio, Beretta conta que isso é
possível quando se tem a oportunidade de ficar mais tempo em cartaz, caso
contrário, se as apresentações são em curta temporada, pouco se consegue arcar
com as despesas, sendo então necessário o patrocínio. “Na verdade o patrocínio
se faz necessário quando tu não consegue pagar sua despesa com a bilheteria”, declara
o ator, pois as diárias são caras, o tempo de exposição é curto e as equipes
são pequenas. “Antes era possível fazer teatro dia e noite, hoje não é
mais viável”, afirma Rogério Beretta.
E
quando independente de crise, a arte não é valorizada
Roberto
Corbo diz que “a maior função da arte é questionar”, referindo-se que a arte
pode ser um pouco perturbadora para um governo que prefira que sua população
seja comodista e ignorante, evitando confronto de ideias e não necessitando de
maiores apoio à cultura. André D’Tal, que se formou na escola de atores
Wolf Maya em SP, diz que “o povo brasileiro não é um povo culto, mas entretido”,
referindo-se que a grande maioria da população confundem cultura com
entretenimento.
![]() |
| Ângela Gonzaga crédito: foto cedida pela professora e atriz |
Ângela
Gonzaga, atriz e professora na Universidade Feevale, considera que o aspecto
cultural no país, não é visto como essencial para o seu desenvolvimento. Além
da presente situação política em que perceba uma diminuição nos investimentos à
cultura, uma área que já possuía poucos recursos disponíveis. Ganhadora do prêmio Açorianos por três vezes, além de mais 15 prêmios nacionais, ela considera todas as dificuldades na carreira, superadas que vão desde a não
valorização da profissão de atriz às condições de trabalho e ressalta “deve-se
defende-la de maneira igual ao nível de importância das demais profissões”, diz
Ângela.
O
ator e professor da Oficina de atores no RJ Thiago Cantarelli Vaz Fryga, diz
que o teatro nunca foi uma profissão valorizada ao ponto de alguém viver bem só
como ator de teatro. Para ele a maioria das pessoas quando buscam por assistir
uma peça, procuram sempre ver quem faz parte do elenco, por terem
preferência por atores famosos, o que dificulta para os atores iniciantes
em serem reconhecidos, prestigiados.
Por
outro lado, ele também percebe que em torno de 60% dos que procuram fazer
teatro, não é apenas por amor à arte, mas porque querem ficar famosos, ricos
e migrar para a televisão, mas o lado bom é que muitos ao ingressar no
teatro mudam de pensamento e acabam se apaixonando pelos palcos.
Para o filósofo e professor da Universidade Feevale, Henrique Grazzi Keske o país sofre uma deficiência grave nos
incentivos que correspondem ao sistema educacional. Para ele, isso é algo que
não é apenas parte do cenário atual do Brasil, mas o desinteresse em apoiar a
cultura de forma que o cidadão possa se inserir dentro das artes desde as
séries iniciais, vem de outros tempos e faz diferença na maneira como o cidadão
encara o que é uma manifestação cultural, formando cidadãos que buscam o teatro
como forma cultural de entretenimento. “De uma forma geral, nós temos carência
de uma política pública efetivamente voltada para a cultura”, afirma Henrique.
![]() |
| Henrique Grazzi Keske crédito: foto divulgação |
Sobre as
produções culturais de massa como as telenovelas, Henrique ressalta que esse
espaço na preferência das pessoas, foi deixado pelo teatro popular, quando na
década de 50 e 60 as produções Hollywoodianas tomaram a frente, tornando as
produções audiovisuais mais atrativas para um público que de certa forma se tornou comodista. Para o filósofo, essas
produções de massa não dão oportunidade de senso crítico ao cidadão, ao contrário do que o teatro proporciona.
Henrique
também diz que a Lei Rouanet é necessária
e precisa continuar. Porém, é necessário resgatar seu propósito original. De acordo com ele, artistas famosos não deveriam receber incentivos da Lei
Rouanet, pois ela foi criada justamente para dar suporte e financiar as
manifestações culturais que ainda não estão consolidadas no mercado.
Para Thiago Fryga, a Lei é a salvação do artista e deveria ser mais divulgada em escala nacional, pois ainda tem muitos empresários que desconhecem essa lei e como ela funciona. “O investidor não se utiliza de seus recursos próprios, mas sim do Imposto de Renda, com isso há uma contrapartida, como a divulgação da logomarca da empresa do investidor”, declara Thiago.
O que
dizem os alunos de teatro
![]() |
| Marina Müller crédito: foto cedida pela entrevistada |
A
aluna Marina Müller, estudante de licenciatura em teatro na UFRGS, fala que
desde criança se viu motivada a fazer teatro. Através da televisão ou quando
assistia uma peça de teatro em que via as pessoas atuando, sentia que queria
viver outras histórias, experimentar outro mundo. Como parte do público que
assiste às peças, ela acredita que o público possa ter diminuído em função dos
valores dos ingressos, mas que é necessário que as pessoas entendam que é o
trabalho dos atores.
![]() |
| Ângela Segabinazi crédito: foto cedida pela entrevistada |
Ângela Segabinazi,
que cursa teatro na Neelic, também se viu inspirada desde a infância e pode
contar com o apoio da família desde cedo. Ela argumenta que o teatro está em
constante mudança, deixando de se apropriar de técnicas mais antigas, mas não
está sendo valorizado como antes e compete com um público que tem a tv como
principal meio de entretenimento. Sobre os valores de ingressos, ela afirma que
falta muita informação para a população sobre o quanto se gasta para fazer um
espetáculo e que mesmo quando os ingressos são promocionais o público ainda
reluta em dar preferência ao teatro do que para o cinema.
![]() |
| Vanenssa Rodrigues crédito: foto cedida pela entrevistada |
Vanessa
Rodrigues que cursou teatro na Oficina de Atores, conta que escolheu o caminho
das artes, pois desde pequena achava fascinante a arte de atuar e sempre
teve curiosidade em fazer algo relacionado. Como sempre foi desinibida, achou
que iria se adaptar bem com as artes cênicas. Por fim, descobriu que sua vida
não seria a mesma sem uma vivência mais aprofundada no teatro. Sobre os muitos
problemas encontrados nesse meio para manter o teatro, ela nos dá sua opinião: “A
palavra dificuldade me incomoda um pouco, por que existem muitas limitações
sim, mas quando tu é ator tu não pensa nisso como uma dificuldade, mas sim como
etapas ou necessidades para que aquilo que tu estás fazendo se torne real.”
![]() |
| Rodrigo Motta crédito: foto cedida pelo entrevistado |
Rodrigo
Motta que também cursou teatro na Oficina de Atores , lembra que os motivos que
o levou a entrar para o teatro, foi o fato de assistir muita televisão novelas
e filmes e ter muita vontade de fazer parte do mundo televisivo e
cinematográfico, mas o teatro é o primeiro passo que segundo ele, é a base de
tudo e é inevitável não se encantar por esse mundo. Mas a vida nos palcos e da
profissão de ator, faz Rodrigo refletir: “Minha maior dúvida e medo de investir
minha vida no teatro, é se vou conseguir viver bem somente com a arte teatral. O
ator não é valorizado infelizmente. Com exceções daqueles que caem na graça de
uma grande emissora ou no mundo cinematográfico”, declara Rodrigo Motta.
Seguindo adiante
![]() |
| Foto: Redes sociais peça "Os Homens de perto" |
Os Homens De Perto vai
completar 15 anos pelos palcos, Rogério Beretta, não sabe dizer ao certo qual o
segredo para esse sucesso, mas afirma que a qualidade em tudo o que se faz,
independente do estilo da peça, deve ser prioridade, além do ator fazer o que
gosta e se divertir com isso. “Todo clássico, um dia já foi popular”, afirma
Rogério, que dadas as experiências que teve, pode perceber que nos anos 80
quando iniciou com o teatro, fazia apenas dentro de um círculo de pessoas e
assim o teatro não se popularizava, sendo assim, ele cita O Porto Verão Alegre como um espaço na mídia para a popularização
de certas peças. “Tangos e Tragédias, virou um clássico, talvez um dia a gente
chegue nisso”, diz Rogério. Ele cita “O guri de Uruguaiana” e o Cris Pereira,
como fenômenos de públicos, em estilos diferentes, mas com a mesma linha de
produção e de popularização. “Um marco para nós Homens de Perto I, foi quando o
público esperado era de duas mil pessoas
em Campo Bom e o estimado foi de dez mil, “até eu me distraí olhando para o
telão e o Zé teve que me chamar”, afirma o ator.
Mesmo
com espaços limitados, curtas temporadas e falta de apoio financeiro para
custear reparos nos teatros ou disponibilizar novos, o ator Rogério Beretta
ressalta que o público não diminuiu, cita como exemplo o porto Verão Alegre, projeto
que atua como produtor e diretor. Para o ator, com condições e investindo na
cultura, é possível dar oportunidades das pessoas também apreciarem. Rogério
lembra que no verão, não tinham muitas opções de entretenimento, já que
nessa época as pessoas passam mais tempo viajando, estão de férias, mas
depois que surgiu o Porto Verão Alegre, o público já chegou em torno de 40 mil.
Na opinião de Beretta, é preciso urgentemente de mais espaços públicos com
valores mais acessíveis para os grupos de teatro poderem trabalhar, “tendo
estrutura, visibilidade e qualidade, as coisas acontecem”, afirma o ator.
![]() |
| Rogério Beretta crédito: rede social |
“Aos 23 anos repaginei minha vida e aí me encontrei e se tivesse que mudar algo hoje mudaria...Já diz o ditado que se conselho fosse bom não se dava, se vendia, mas se for dar um conselho, digo siga teu coração, a vida é uma só, seja feliz no que faz, não existe tarde para nada, tarde é quando tu não faz. Não foca no dinheiro, nessa de só status e “estabilidade’, pois se te tiram o dinheiro e para ti só isso é o foco , não tens nada, agora tua paixão, tua alegria ninguém tira” Rogério Beretta.
















Comentários
Postar um comentário